Olhos – parte 1: córneas
A córnea é a face mais externa dos olhos, é uma lente translúcida que permite a passagem da luz e a consequente formação das imagens (imagem 1 e 2). Por ser mais externa está mais exposta e sujeita a traumas e ressecamento. Apesar de parecer tão fina a olho nú, é composta por 5 camadas.
É muito comum os tutores referirem que no dia anterior estava tudo bem e de repente o pet apareceu com um dos olhos fechados, relutando em abrir e demonstrando dor (imagem 3).
Várias doenças ou alterações podem levar a este quadro, mas uma das primeiras patologias que tanto o clínico quanto o oftalmologista suspeitam é a tal da úlcera de córnea.
A úlcera é uma lesão que ocorre na córnea e que pode afetar uma ou mais camadas (imagem 4). Quanto menos camadas afetar, mais superficial é a lesão e mais rápida a cicatrização.
Estas úlceras normalmente ocorrem por causa de traumas, exemplo: unhadas, brigas, coceiras intensas nos olhos (animais alérgicos), pelos em contato direto com os olhos, entrópio (pálpebra invertida para dentro do olho – assunto para outro post), deficiência na produção da lágrima que é uma das proteções dos olhos, enfim, são inúmeras as causas que podem estar ocorrendo de forma silenciosa e a úlcera é só a ponta do iceberg. Descobrir a causa é fundamental para evitar que o problema se repita.
O diagnóstico é realizado mediante a história clínica e os exames oftalmológicos. Como o paciente sente muita dor, o ideal é utilizar colírios anestésicos para o paciente ter conforto e permitir uma boa avaliação dos olhos.
O teste da fluoresceína é um corante verde aplicado na superfície dos olhos. Após o uso do corante, utilizamos uma lanterna com filtro azul cobalto para definir a extensão e a profundidade da lesão na córnea. Sem este corante não é possível detectar as possíveis lesões (imagem 5). Além deste teste, são realizados outros, porém para o diagnóstico da úlcera, este é o principal exame.
Vale lembrar que quando cai um “cisco” no nosso olho ficamos extremamente incomodados, imagina uma “ferida” em uma área tão nobre e sensível. Sempre considero a dor durante o meu tratamento, para mim é imprescindível controlar a dor e desconforto do paciente.
O tratamento é bem individual e depende de cada paciente, mas o colar elizabetano é algo indispensável e comum a todos os casos. Úlceras superficiais são tratadas com colírios várias vezes ao dia, já para úlceras profundas que colocam em risco a integridade do olho, as cirurgias são necessárias.
Se perceber alguma alteração nos olhos do cãozinho ou gatinho busque ajuda o mais rápido possível. Salvar olhos é uma missão do veterinário, mas ninguém faz nada só e o salvamento se inicia quando o tutor percebe que algo está errado e procura uma rápida solução.
Vale lembrar que cada profissional atua de um jeito, o que trago neste blog é um pouco da minha experiência e do jeito que deu certo para mim e para os meus pacientes. Gratidão.
Seguem as imagens deste post:
É muito comum os tutores referirem que no dia anterior estava tudo bem e de repente o pet apareceu com um dos olhos fechados, relutando em abrir e demonstrando dor (imagem 3).
Várias doenças ou alterações podem levar a este quadro, mas uma das primeiras patologias que tanto o clínico quanto o oftalmologista suspeitam é a tal da úlcera de córnea.
A úlcera é uma lesão que ocorre na córnea e que pode afetar uma ou mais camadas (imagem 4). Quanto menos camadas afetar, mais superficial é a lesão e mais rápida a cicatrização.
Estas úlceras normalmente ocorrem por causa de traumas, exemplo: unhadas, brigas, coceiras intensas nos olhos (animais alérgicos), pelos em contato direto com os olhos, entrópio (pálpebra invertida para dentro do olho – assunto para outro post), deficiência na produção da lágrima que é uma das proteções dos olhos, enfim, são inúmeras as causas que podem estar ocorrendo de forma silenciosa e a úlcera é só a ponta do iceberg. Descobrir a causa é fundamental para evitar que o problema se repita.
O diagnóstico é realizado mediante a história clínica e os exames oftalmológicos. Como o paciente sente muita dor, o ideal é utilizar colírios anestésicos para o paciente ter conforto e permitir uma boa avaliação dos olhos.
O teste da fluoresceína é um corante verde aplicado na superfície dos olhos. Após o uso do corante, utilizamos uma lanterna com filtro azul cobalto para definir a extensão e a profundidade da lesão na córnea. Sem este corante não é possível detectar as possíveis lesões (imagem 5). Além deste teste, são realizados outros, porém para o diagnóstico da úlcera, este é o principal exame.
Vale lembrar que quando cai um “cisco” no nosso olho ficamos extremamente incomodados, imagina uma “ferida” em uma área tão nobre e sensível. Sempre considero a dor durante o meu tratamento, para mim é imprescindível controlar a dor e desconforto do paciente.
O tratamento é bem individual e depende de cada paciente, mas o colar elizabetano é algo indispensável e comum a todos os casos. Úlceras superficiais são tratadas com colírios várias vezes ao dia, já para úlceras profundas que colocam em risco a integridade do olho, as cirurgias são necessárias.
Se perceber alguma alteração nos olhos do cãozinho ou gatinho busque ajuda o mais rápido possível. Salvar olhos é uma missão do veterinário, mas ninguém faz nada só e o salvamento se inicia quando o tutor percebe que algo está errado e procura uma rápida solução.
Vale lembrar que cada profissional atua de um jeito, o que trago neste blog é um pouco da minha experiência e do jeito que deu certo para mim e para os meus pacientes. Gratidão.
Imagem 1: Visualização da córnea do olho direito de um gatinho
Imagem 2: Olho humano demonstrando a transparência da córnea. Foto de Paulo Zero
Imagem 3: paciente Frajolinha não abre o olho direito (blefaroespasmo) por motivo de dor
Imagem 4: Corante de fluoresceína marcando a lesão de úlcera de córnea (verde fluorescente) no olho direito do paciente Frajolinha. Causa: arranhão por unha de outro gato.
Imagem 5: Diagnóstico da úlcera de córnea usando uma lanterna de filtro de azul cobalto.



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