Começando a falar sobre as hemoparasitoses nos cães


Nesta publicação trago um pouco da minha experiência sobre o diagnóstico das hemoparasitoses que é o nome genérico dado as doenças que são transmitidas pelo carrapato.

Os nomes dados as doenças não são fáceis e lá vai algumas: erliquiose, babesiose, anaplasmose, borreliose ou doença de Lyme, hepatozoonose, entre outras. Cada uma a sua maneira promove um estrago diferente no paciente, mas os sintomas delas, de forma geral, são muito parecidos.

Estou formada há 10 anos e neste tempo estou percebendo várias mudanças que gostaria de compartilhar com vocês, a primeira é que estas doenças não estão se manifestando com os sinais clássicos (sangramentos excessivos, anemias, hematomas...), o que posso explicar resumidamente, é que se o paciente apresentar vômitos não fico limitada apenas as doenças de estômago e intestinos, penso na possibilidade das hemoparasitoses que vêm se apresentando de forma silenciosa e discreta, mas constante.

A segunda observação é que temos a impressão do aumento da doença, mas ao mesmo tempo percebo que eu e os colegas estamos pesquisando mais estas doenças, ou seja, quanto mais procuramos mais achamos, talvez o número seja alto não só por novos casos, mas pelos casos de animais positivos cronicamente que estamos descobrindo mais. Esta é uma reflexão minha e estou compartilhando com vocês tutores e colegas.

A terceira observação é que antes com o hemograma, exame simples e barato, usado como triagem já trazia várias dicas da possibilidade de hemoparasitose e na minha rotina percebo que não dá para se nortear apenas com ele, perdi a conta de quantos hemogramas normais e quantas exames específicos altamente positivos para estas doenças eu me deparo todos os dias. A depender da fase da doença é necessário mais de um tipo de exame para o diagnóstico.

Já vi pacientes morrer devidos a fases graves de erliquiose, já perdi um cãozinho muito querido nosso, enfim, mas ao mesmo tempo que temos perdas, já foram salvos muitos pets.

O fato é que exames específicos para estas doenças a exemplo das sorologias e PCR's são necessários. Confesso que de forma geral os tutores que eu atendo topam a realização destes exames como uma triagem geral ou antes de cirurgias e a notícia triste, é que em média, de cada 10 exames 8 vem positivos e o paciente sem sintoma algum. Cada caso é um caso, mas na maioria das vezes já instituímos o tratamento. 

O mundo dos sonhos é que estes exames se tornem cada vez mais acessível e sejam uma rotina constante em clínicas e hospitais.

A maioria destas doenças é transmitida através da picada ou da ingestão do carrapato pelo cãozinho. Logo deixar o vetor transmissor longe, aumentam as chances de saúde do pet.

Apesar de existir tratamento, investir em prevenção ainda é a "bola da vez." Existem prevenções de vários tipos e preços. Temos a disposição no mercado veterinário anti-parasitários em pipetas, coleiras, sprays e comprimido palatáveis. A idéia é deixar o carrapato longe do pet e assim diminuirmos as chances da doença.

A frase "prevenir é melhor do que remediar!" Sempre converso com os tutores para fazer um planejamento de despesas mensais considerando a alimentação do pet e o investimento com anti-parasitários. Alguns tutores ficam preocupados com o uso destas medicações de forma contínua, mas os laboratórios deixam a disposição do público os testes de segurança, eficiência, intoxicação, enfim, várias informações que dão embasamento tanto para o veterinário prescritor quanto para o tutor.

Nas próximas publicações vamos falar em detalhes sobre cada uma destas doenças. Conhecimento é tudo!

Se você leu esta postagem até aqui, não perca tempo! Fale com o seu Vet de confiança e já inicie uma investigação completa no seu pet. Eu sei que estas informações podem salvar uma vida 💜

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